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Filosofia da história e teoria da fronteira: consciência histórica no ensaio americano



Filosofia da história e teoria da fronteira: consciência histórica no ensaio americano.
Há uma filosofia da história (especulativa e crítica) no ensaio latino-americano. Aporte historiográfico significativo (produtor de orientação, identidade e inovação interpretativa), o “gênero misto” registra, também, uma teoria da fronteira: a perspectiva a partir da qual tal filosofia da história é produzida. Este é um debate historicista de relevante atualidade para interessados em relações interculturais e comparação de pensamentos históricos.
O método é o da colagem benjaminiana. Hermenêutica radical das sobreposições e citações intercaladas por comentários sintéticos. Meu objetivo é explorar (em vários sentidos) a literatura (o seu gênero liminar, o ensaio) e a crítica literária. Colocá-las a serviço da filosofia da história. Sobretudo, localizar materiais, conceitos e procedimentos para as ciências da cultura.
História como interrogação do passado, do tipo de conhecimento que torna essa interrogação possível, assim como da perspectiva (expressa em escritura) do historiador, aquele que encaminha tal interrogação. Trata-se de mover-se em um labirinto.
Para Carpentier, o passado é território de ação do farsante, o armador de ilusões. O historiador é como Colombo diante das cortes incrédulas: realiza pantomimas e mascaradas para convencer e para tanto precisa produzir seu “retábulo de maravilhas”.
Garcia Márquez enfatiza a solidão do trabalho interpretativo. Interpretar é insistir em ter uma vida própria. A condição para tal é a solidariedade: só em um ambiente orientado por disposição esclarecedora e universalista pode haver espaço para reconhecimento. Só gente disposta a repensar suas próprias concepções pode legitimar diferentes formas de leitura do mundo.
Para Octávio Paz o labirinto é condição humana. Saber-se só e procurar o outro é o que marca o homem. A história, a invenção humana diante da natureza, é o resultado desse esforço.
Os ensaístas latino-americanos são críticos da linearidade. Seu trabalho de construção do passado se fez contra os pressupostos da história universal. Positivismo e eurocentrismo eram combatidos na história oficial. Mobilizou-se a poética capaz de apreender a dimensão real-maravilhosa (desmedida, anacrônica, fragmentada, híbrida). História feita a partir da fronteira: a contrapelo, com ironia, paródia, intertextualidade e irreverência.
Aqueles que mais avançaram na construção desse modelo de leitura do passado americano são Carpentier (a dobra americana), Borges (história e eternidade), Paz (corpo e mente no Ocidente), Sarduy (história travestida), Cabrera Infante (multiplicidade e multidimensionalidade da experiência), Lezama (a sabedoria do olhar) e Glissant (história como formação).

Sumário: Autonomia cultural e pensamento histórico relacional. 1 – Filosofia da história e teoria da fronteira: Rüsen, Benjamin, Weber, Habermas, Foucault, Simmel, Deleuze.



2 – Estudos transatlânticos: Europa e América no pensamento espanhol: Abellan, Ortega, Unamuno, Marichal, Goytisolo. 3 – A ensaística americana: Carpentier, Reyes, Borges, Paz, Lezama, Marquez, Sarduy, Glissant, Cunha, Holanda, Freyre, Rosa.
Carpentier (1904-1980): iniciador e renovador da nova novela histórica hispanoamericana/NNHH (Campuzano/La historia a contrapelo: el descobrimento y la conquista según Alejo Carpentier in Alejo Carpentier y Espana. Compostela, USC: 2006, p. 20 e Menton, Seymour. Latin América’s New Historical Novel. Austin: UTP, 1993): “...se constituye textualmente como cuestionamento enfático y subversivo de la historia oficial, y por ende, como relato metahistoriográfico muy marcado por la perspectiva político ideológica del autor, por el momento em el que la escribe, y por su poética, que en el caso de Carpentier implica –lo que de hecho es enfatizado em el famosísimo prólogo de El reino de este mundo- toda uma dimensión real-maravilhosa.”
El siglo de las luces: “...ésta es la primera novela hispanoamericana en la que se realiza una lectura de la historia europea desde uma perspectiva outra, latinoamericana, que a su vez redimensiona, universalizándola, la própria historia de Am[erica y, en particular, la del Caribe (...) es una lectura desconfiada de la tradición, intrahistoria o mirada desde abajo (Unamuno), clasista (subalternos sociales), étnica (africanos esclavizados), geopolítica (sur, lejano occidente), estrábica (feminista), a contrapelo (Benjamin). Desconstrucción de la idea de que la história latino americana es dependiente de la europea (cimarronada, los esclavos no esperaron la revolución francesa)”, p.20.
Anos setenta: NNHH: más desafiante de la historia oficial: estética de la irreverência, la desmesura y el gesto irônico, reescritura paródica, intertextualidad como arma, anacronismo, fantástisco, fragmentación temporal/25,
Echevarría (in AC y España, p.404-6) sobre Carpentier (tempo e espaço): escritor de sistema, poética própria e fechada, “forma y significado mediante uma red de corelaciones em su interior, que a su vez alude a sistemas externos” (estrutura alegórica, história universal, filosofia, astrologia y cabala); “cada obra reflete os conceptos mas abarcadores y determinantes de las épocas em que surgen, muy em especial la cosmologia, la forma y funcionamento del universo”; escribe em momento em que la inteligencia del cosmos y su relacíon com el conocimiento sufre transformaciíon radical (ser, história, espaço, tempo, Dios); médio artístico informado por esta transformación: Neobarroco; “terror de lo informe, de lo sin forma y sentido, de lo inasible e inexpresable, ademas de uma sensaciíon de desorientaciíon y vertigo”. “Es el reto (desafio) de lo que no tiene limites espaciales y temporales y a lo que hay de poner signos – puertas al campo – estables, fijos”; el problema fundamental es la relación entre el ser y la geografia, o, em términos más abstratos, entre la ontologia y la geometria (medida de la tierra); el juego entre el ser y el estar; “Saber quién se es depende de saber dónde se está y donde se quiere estar”; “esto ultimo motiva el peregrinage, el viagem hacia la Meca, Roma o Santiago, hacia el espacio dotado y dotador de sentido”; “figura alegórica del final y de la meta, del blanco como diana”.
Alfonso Reyes (1889-1959) (Notas sobre la inteligência americana in Skirius): “Com el pretexto de América, no hago más que rozar al paso algunos temas universales”. Civilización americana, conceito inoportuno: regiones arqueológicas; cultura americana, noção equívoca: rama del árbol de Europa transplantado; inteligência americana, su visión de la vida y su accíon em la vida, definir el matiz de América; nuestro drama tiene um escenário, um coro y um personaje. Escenário: um tiempo, um compás, um ritmo. “Llegada tarde al banquete de la civilización europea, América vive saltando etapas, apresurado el paso y corriendo de uma forma em outra si haber dado tiempo que madurara del todo la forma precedente.”; menos tradición, mas audácia; improvisación. El coro: poblaciones americanas. “Hay choques de sangres, problemas de mestisaje, esfuerzos de adaptacón e absorción.”. Sustancia heterogênea, humanidad americana característica, espiritu americano. El actor: la inteligência.
Amélia Barili sobre Borges y Reyes: “...la aplicación que hace Reyes, em su obra del concecpto de inteligência americana, la que, segun el, es uma cierta irreverência que lês permite a los latinoamericanos uma mayor libertad creadora ya que escriben desde el margen entre dos culturas.” (Visión de Anáhuac/1915, Notas sobre la inteligência americana/1936, Moctezuma y la `Eneida Mexicana`/1957); “Em el ensayo que publicó em SUR com motivo de la morte de Reyes, Borges señala esta capacidad de sintesis cultural que tenía el destacado escritor mexicano y la relaciona com la de los judíos, los irlandeses y miembros de otras culturas que escriben desde el margen. Siguiendo esta línea de pensamiento, em este livro no sugiero que la marginalidad sea atributo exclusivo de los latinoamericanos, sino que bastó que Reyes y Borges fueran conscientes de que escribian desde el margen para que se liberaran de estyereotipos y se forjaran uma identidad própria, independiente tanto de la perspectiva europea de lo latinoamericano como de las limitaciones del nacionalismo.” (in Jorge luis Borges y Alfonso Reyes: la cuestión de la identidad del escritor latinoamericano. México: FCE, 1999, p. 28).
Barili sobre Reyes: “...el aporte (que el considerava) más trascendental del Nuevo Mundo a la cultura de Occidente: la inteligência americana.” Uma capacidad de síntesis cultural que resulta del intento de ‘descubrir el Mediterráeo por cuenta propria’”. “Confrontado com el hecho de haber nacido em América, el americano ya no puede identificarse com las civilizaciones precolombinas, ni quiere tampoco ser imitador servil de la cultura europea; se siente heredero del legado cultural de Europa pero necesita volver a crearlo por cuenta própria; lo hace (re) interpretandolo apartir de sus próprias circunstancias históricas y culturales americanas, sin demasiada reverencia por el legado recibido, lo que lê permite inovar m[as libremente que si fuera em su propria cultura. De allí que esa síntesis no sea imitación sino estrutura tracendente com algo nuevo y valioso em su interior.” (145) Proyección contrastante (literatura comparada com objetivo de localizar a originalidade inconsciente) y retorno transformador (la palabra própria/resistência dialéctica de los significantes nativos a los significados foráneos: Hozven {Sobre la inteligência americana de Alfonso Reyes. Revista Iberoamericana, 55, 1989} para quem inteligência americana é 1) síntesis cultural, 2) sentido internacionalista, 3) voluntad utopista, 4) querência de calle (voluntad de servicio).
Não se trata dos temas americanos mas da maneira que os tratamos. A herança européia se positiva se buscarmos nossa nota expressiva, nosso acento inconfundível. Demorar-se na circunstância latinoamericana: hibridez cultural como algo positivo.
Na análise de Visión de Anáhuac, Barili localiza o tema da paisagem (também central, em outro sentido, para Glissant) americana em Reyes. Este faz diferir o tratamento de quem está de passagem daquele que nasceu e viveu em intimidade com ela: o segundo é mais pessoal e emotivo. Barili refere-se a Levinas para quem existe uma identificação entre o ser humano e o lugar que habita, “relación que afecta no sólo como se percibe esse suelo, sino también como se percibe el resto del mundo a partir de él.” Totality and Infinity: an Essay on Exteriority. The famialiarity of the world does not only result from habits acquired in this world, which take from it its roughness and measure the adaptation of the living been to a world it enjoys and from which it nouriches itself; the familiarity and intimacy are produced as a gentleness that spreads over the face of things/155; Concretely speaking the dweling is not situated in the objective world, but the objective world is situated in relation to my dwweling/153). (...) “Lo que Reyes está haciendo notar es el limite impreciso entre história y literatura em las crónicas de la Conquista, y la creación de imágines estereotipadas construídas por la fantasia europea alimentada por el desconocimiento; advierto sobre el peligro de adoptar esas imágenes como próprias y lês opone su visión de americano originada em su experiência vivida”. (p.151) O exemplo é a estranha reverberação de raios solares na massa montanhosa da planície central (Humboldt) e atmosfera transparente de extrema nitidez (Reyes).
Para os conquistadores a América é lugar exótico, alheio e incompreensívelque lhe liam através das referências ao fantástico dos livros de cavalaria (Carpentier/ Bernal Diaz). Alienação que permite o botim fabuloso e o tratamento inumano dos indígenas.
Reyes estiliza artisticamente o tratamento do tema da paisagem: intensa emoção (escreve de Madrid) e esta distância lhe provoca nostalgia. Tal situação é estímulo mnemônico que libera meditações e reminicências. Evoca a sensibilidade da imaginação indígena (registrada na poesia Nahua ou cerâmica Cholula): paisagem social perdida, mas resgate de um esquecimento e do valor de uma cosmovisão.
Atividade criadora como visão crítica é o trabalho da inteligência americana. A síntese cultural que a civilização americana poderá realizar nasce do desfrute de todo o passado associado ao privilégio da seleção, vantagem dos povos de nova formação cultural. Trata-se de uma apropriação sem excesso de reverência.
Bom exemplo de apropriação irreverente é Jorge Luis Borges (1899-1986). Ana Maria Barrenechea em “Borges entre la eternidad y la historia” (Espana em Borges. Madrid: El arquero, 1990) assim refere-se ao tratamento da História por Borges: “...atención sobre los pasajes que registraban el transcurrir temporal em uma obra que se mostraba tan afincada em los arquétipos, em los problemas de la eternidad o del eterno retorno. ?Que significaba esa mirada que descubria el cambio, em um lugar, uma fecha, um contexto y um agente específico, para um autor que prodigaba sus burlas y su desinterés por la historia?
1. el cambio que arrastra el suceder temporal, forma de nuestra experiência : el que ve por primera vez, escribe por primera vez, actua por primera vez (lo no-repetitivo, la especificidad característica de cada minuto de la existência em la experiência de um individuo, em um espaço y um tiempo únicos (...) circunstancias y fechas que marcam momentos de um cambio radical (...) el cambio de gusto que hizo pasar de la escritura alegórica a la novela y también de los modos de intuir la realidad entre platônicos y aristotélicos, realistas y nominalistas, com preferências de escritura que inclinaban a las abstraciones o a la recreación del concreto.(...) la atencion sobre la dificuldad para discernir los nombres y acontecimientos que tuercen verdaderamente los caminos de la historia, no com batallas sino com hechos que repercuten em los destinos de la cultura (como aqueles que) querían renovar su tradicíon literária dando voz personal a metáforas universales.” (126-7)
Para Borges, a história admitida como verdadeira é elaboração mitificada de uma tradição. É intento de organizar o universo caótico (como a teologia e a filosofia). O viver é sonho perpétuo. É exatamente esse rechaço da história que nos ensina a localizar a diferença: a) interesse por enigmas, b) leitura interessada em desvendar sentidos únicos, c) reconstituição de contextos de assombro, o nascimento do novo, d) a aceitação de que o verdadeiro enigma é irrecuperável, e) atenção às nuvens de sentido que o acontecimento desencadeou e que se colocam entre ele e a leitura atual.
2. “Historia resumida de uma idea o imagen: (...) la síntesis del desarrollo temporal de um tema que puede consistir em um problema, um concepto, um siímbolo. (...) mas que su extension o brevedad, importa la natureza de esa sintesis
El tiempo y lo hispánico em Gilberto Freyre (Marias, Julian. Madrid: Alianza, 1986, p. 341 e segts). “La gran originalidad de Gilberto Freyre al intentar comprender lo hispânico, lo que quiero subrayar com la mayor energia, es que no há buscado la ‘essencia’ de lo luso-español y sus proyecciones transatlânticas em alguna condiciíon abstrata, y tampoco em ciestos ‘resultados’ econômico sociales –como propenderia hacerse hoy-: mezcla racial, técnica elemental, inestabilidad política, niel de industrialización, etc. Gilberto Freyre há encontrado lo más próprio de lo hispânico en una dimensión más profunda, estrictamente antropológica: el sentido del tiempo. Desde que el pensamiento europeo de nuestro siglo, com decisiva participación por uma vez del español, empezo a superar la visión del hombre como ‘cosa’ (cosa material o cosa espiritual), a verlo como vida, em el sentido imediato, no biológico, de esta palavra, como vida biográfica, el tiempo avanzó hasta primero plano (...) El hispano tiene uma interpretacón simpre personal del tiempo.(...) Time is money: no, se diría; es algo mucho más valioso: es vida. El dinero es para la vida, es ela que le da algún valor. De ahí que para Freyre el verdadero tiempo sea el próprio, el que considero ‘mio’, el que lleno com mis proyectos personales; es decir, el que desde outra concepción se ‘pierde’”.
“La idea de ‘Hispanidad’ esta definitivamente ligada a las circunstancias históricas de Espana a finales del siglo XIX, especificamente al hecho de que, si bien políticamente los países americanos se habían independentizado em su totalidad, em otros aspectos como el econômico, el migratório o el cultural, el intercambio entre ambos lados del atlântico em realidad se intesificó. La ‘gran raza hispanoamericana’del discurso oficial y la ‘Hispanidad’ de Unamuno, están formadas por los países de habla hispana. Em ambos casos ‘Hispanidad’ o ‘Hispanoamérica’ denomina uma comunidad imaginaria de paises que ocupan uma extensa área geográfica em Europa y América, payses cuja lengua oficial es el español. (...) su invención o conceptalización se produce em la interseción de la construcción imaginária de la nación propia del siglo XIX em Europa por uma parte, y la exacerbación de la retórica del discurso colonial americano, que desde los textos producidos por los viajes de Col[on em 1492 inscribe uma concepcón de la entidad ‘Ámérica’.” (Santos –Ribero, Virginia. Unamuno y el sueño colonial. Madrid: Vervuert, 2005, p. 103). Este é o tipo de redução característica de uma vertente do pós-colonial: a complexidade histórica produtora do ‘discurso’ de Unamuno fica reduzida e determinada pela busca de um ‘novo espaço discursivo colonial’. Unamuno reduzido a um colonizador.
“La ‘vida española’ era, pues, para Unamuno uma esp[ecie de símbolo de ‘existéncia humana’, pero este símbolo encarnaba mejor que em ninguna parte em dicha vida. (...) no se tratava solo de la existência coletiva de Espana, porque Portugal y la América hispana y lusitana eran consideradas como partes integrantes de la misma. Em sus especulaciones sobre él ‘alma española’ Unamuno incluía asimismo a los ‘hermanos portugueses’ e a los hermanos ‘hiberoamericanos’. A primera vista la fraseologia de Unamuno parece ser um ejemplo más de la anticuada retórica de que todavia echan mano algunos políticos em discursos pronunciados el Día de la Raza. De Hecho, es, o quiere ser, el resultado de um interes vital y constante por los modos de vivir y sentir expresados em Espana y en la América latina. A diferencia de quienes olvidaban la vida y la cultura de esa América, o quienes la juzgaban como uma espécie de colônia intelectual, Unamuno se abrazó a ella sin que esto lê impidiera – antes bien unamunianamente conllevara – polemizar a vezes ásperamente com algunos de sus prohombres. Creia sinceramente que las gentes de Hispanoamerica e Iberoam[erica vivian de modos muy semejantes, sino idênticos, a los de sus ‘hermanos’ españoles, aun cuando – se oponían a estos y luchaban em favor de su independência intelectual y política. Todos vivian polémicamnte; todos sentian los latidos de la intrahistoria (‘adentramiento’ como exploração interior incessante dirigida por interesses de comunidade, socialidade ou companhia; diante dos fracassos recorrentes, concentrar-se para derramar-se, assumindo e mostrando o caráter conflituoso e dialético de um viver por suas próprias forças e possibilidades internas; historicismo radical), bajo la corteza de los acontecimientos históricos; em suma, todos se sentían, símbolos de ‘pura humanida’”. (Mora, José Ferrater. Unamuno. Bosquejo de uma filosofia. Madrid: Aliança, 1985, p. 93).
Ainda sobre Unamuno, Juan Marichal parece ter bem compreendido seu projeto de universalismo historicista aliado a desenvolvimento estilístico (“El fin de la vida es hacerse um alma”/La agonia del cristianismo). Tal projeto foi encaminhado através de uma critica da auto-imagem de España. A famosa sociabilidade e franqueza espanholas são aparentes: aquela está limitada pela ideocracia (dogmatismo), esta pela atitude de reserva enquanto à vida pessoal e íntima. “Em una de sua más bellas páginas, em el ensayo citado A lo que salga, expone don Miguel su visión utópica de la sociedad, revelando, como em el caso de Em torno al casticismo, su voluntad de estilo. Relata que uma mañana de niebla, hacia 1899, ‘al ver los arborillos [...] sumergidos em la niebla..., parecióme como si a aquellos aborillos se lê hubiesen rezumado o extravasado las entrañas [...] y que las entrañas éstas de los arborillos y de las cosas todas se habian fundido unas em otras’. Unamuno piensa entonces ‘en un remoto reino del espíritu em que se nos vacíe a todos el contenido espiritual, se no ‘rezumen’los sentidos, anhelos y afectos más íntimos, y los más recônditos ‘pensares’, y todos ellos, los de unos y los de otros, cuajen em uma comum niebla espiritual...’ (...) Unamuno expresa mediante el acoplamiento de ‘escritor’ y ‘niebla’ su voluntad de estiloy su afan por entregar al lector el mas íntimo de su espíritu. (...) derramar, verter, rezumar. La expresión literária la concibe como uma forma de derramamiento espiritual, mediante el qual el escritor se descubre a s[i mismo, y por lo tanto, no há de encauzar com sus palabras el flujo de su vida interior sino que deben ser ‘ríos de água viva’ (...) el lenguage liter[ario tradicional, lo que [el llama ‘castizo’, es como um obst[açulo entre el hombre y su recôndita individualidad, así como entre el hobre y su prójimo. El estilo de ‘derramamiento’ que el queria crear, y que efectivamente realizóo, cobraba finalmente um sentido ético al unir al escritor em comunión espiritual com sus lectores. (...) La auténtica sociabilidad consiste, para Unamuno, em la convivência de personas que expresan libremente sus problemas espirituales y sus preocupaciones íntimas. (...) La individualización del hombre era para Unamuno el único médio de lograr la plena integración de la sociedad, y el veia así la comunidad humana ideal como uma reunión de ýos’em que la ‘extravasión’ personal uniria a los hombres em vez de oponerlos y separarlos.” Marichal, Juan. El desígnio de Unamuno. Madrid: Taurus, 2002, p. 43 e segts.
“El conjunto de rasgos que hemos decrito sobre la prospctiva del siglo XXI dibuja um panorama donde parece evidente el aumento de la subjetividad. Um mundo vivido desde la perspectiva de la vida privada, donde la mujer alcanza um predomínio social inusitado y em el culto de la paz toma carácter casi religioso, es um mundo em que los sentimientos deberán ocupar um lugar privilegiado. Si a ello unimos nuevas formas de religiosidad más abiertos y flexibles, es probable que em el futuro vamos a asistir a lo que he llamado, el reinado de las pasiones. Es um hecho que em la historia de Occidente las pasiones han tenido muy mala fama, como consecuencia de la influencia cristiana, pues el cristianismo siempre penso que la pasion es raiz del pecado y, por tanto, encarnación del mal.” (Abellan, José Luis. Ideas para el siglo XXI. Mdrid? Libertarias/Prodhufi, 1994, p. 119 e segtes). Evitar paixões, alcançar serenidade é o ideal da conduta cristã, muito parecida nisto com a moral estóica da imperturbabilidade do ânimo. No entanto, há aqueles que enxergam nas paixões o motor para o melhor da natureza humana. “Diderot decía que sin ellas no hay nada sublime em las costumbres, em las obras literarias, em las criaciones artísticas, pues la virtud se convierte en minúcia Y Hegel confirmaba que no hay nada bueno em el mundo que se haya podido realizar sin pasión. Para Gurméndez ( Gurmendez, C. Trtado de las pasiones. Barcelona: Anthropos, 1985, p. 9) ‘lar razón no es nunca razonable, prudente ni comedida ya que, por virtud de su ímpetu, olvida la realidad absoluta. Por si misma, la razón es uma actividad que no desmaya nunca, pues busca el origen de todos los fenômenos y, para ella, la tortura consiste em no encontrar jamás um último fin o causa em lo que poder descansar. Esta atividad de la razón es origen de uma pasión’. La instalación el lo razonable supone haber huido de la pasión pura para aceptar las pasiones, lo cual a su vez supone aceptar su própria dialéctica. La pasión pura se hace entonces pasión dialectica (interdependência dinâmica das afecções – sensações, impressões, emoções sentimentos, pensamento, razão – e conhecimento). Estamos ante de uma formulacón filosófica de lo que algunos han llamado la Era de Acuario, segun la cual se há inaugurado um período histórico caracterizado por la riqueza de los sentimientos y de la imaginación (...) ahora deve restaurarse uma razón multivoca y plural que tome asiento em el pensar y, por tanto, se traduzca em uma variedad de ‘razones’”.
Abellán é um historiador das idéias que põe em relevo a descontinuidade (quebra do contato com a herança medieval moura e hebraica, a Contra-Reforma, a Restauração, o fracasso colonial, a Guerra Civil, a Ditadura) e o contato com a América como constantes do pensamento espanhol. Isso me interessa.
Goytisolo: “...uno de los rasgos essenciales de la literatura de nuestro tiemporadica precisamente em la supressión de las aduanas y fronteras estabelecidas entre los gêneros clásicos em favor de uma producción textual descondicionada que los englobe y a su vez los anule: textos que sean a um timpo crítica y creación, literatura y discurso sobre la literatura y por conseguinte, capaces de contener em si mismos la posibilidad de uma lectura simultaneamente poética, crítica, narrativa. (...) La prodigiosa riqueza actual de nuestra narrativa sería menos uma apuesta lanzada a lo porvenir que um signo formal del passado: uma inquieta, apressurada, febril recuperaciín del tiempo perdido trás el desarraigo brutal de la dimensión imaginativa del campo de la novela com posterioidad al Quijote (...) Hoy más que nunca, la introduccón de um instrumental crítico em el âmbito de nuestra lengua es uma necessidad insoslayable si los payses de habla española pretenden desempenar algún papel em la asimilación y organización creadoras de uma fase histórica que, como la actual, recuerda em tantos aspectos la que vivieron los hombres de Renascimiento: cuando Espana encarno pasajeramente la aspirac[on a um saber sin fronteras ntes de enclautrarse para siempre em el panteón de la autosuficiencia, ele l pensamiento monolítico, la cerrazón ortodoxa.”
“La meditación creadora de Paz no há cesado de extenderse sobre campos tan dispares como el arte y la política, la antropologia e la sicoanálisis, la poesía y la ciencia sin abandonarse por ello a esa facilidad divulgadora que tan a menudo rebaja la obra de Ortega, devolviendo a lengua española su capacidad, perdida dor siglos, de convertirse em instrumento y vehículo de um pensamiento capaz de abrazar, sin anularse por ello, las distintas corrientes ideológicas surgidas de la Ilustración y la revolución industrial, de Rousseau y Sade, Hegel y Marx, Saussure y el surrealiasmo, y de explorar la complejísima y contraditória faz del mundo de hoy sin recurrir a ninguno de los esquemas que habitualmente la encubren (...) texto como dinámica pluralidad de lecturas (...) inagotable curiosidad intelectual (...) se esfurza em desenredar y ordenar la telaraña de afinidades y divergências existentes entre las distintas culturas (...) uma distribuición simétrica de médios de ser original.
“La oscilación de los signos ‘cuerpo’ y ‘no cuerpo’ a lo largo de la historia de las civilizaciones sería así el eje em torno al cual giran las concepciones religiosas y sociales, com sus magnos, poderosos edifícios ideológicos, dogmáticos y rituales (...)o, relaciones complejas (hechas de semejanzas y oposiciones), diálogo ininterrumpido de los signos em el espacio retangular de la página: ‘frente al vocabulário neutro y abstrato de la moral [se refiere al protestantismo], las palavras geniales y las cópulas fonéticas y semânticas [del tantrismo]; frente a las plegarias, los sermones y las economia del lenguage racional, las plegarias, los sermnes y la economía del lenguage racional, las mantras y sus cascabeles. Um lenguage que distingue entre el acto y la palabra y, dentro de ésta, entre el significante y el significado; outro que borra la distinción entre la palabra y e lacto, reduce el signo a mero significante, cambia el significado, concibe el lenguage como um juego ide’ntico al del universo em el que el lado derecho y el izquierdo, lo masculino y lo femenino, la plenitud y la vacuidad son uno y lo mmismo.

(...) la tradción judeo cristiana com especto al cuerpo, víctima perpetua de las abstracciones teol[ogicas o racionales (...) del mismo modo que el sentido aparece más allá de la escritura como si fuese el punto de llegada, el fin del camino ..., el cuerpo se ofrece como uma totalidad plenária, igualmente a la vista e igualmente intocable: el cuerpo es siempre el más allá del cuerpo.


Esta é a busca do texto total (aquele que exige uma leitura de todos os seus níveis) e dos caminhos da revolta contra a economia burguesa e a moral do homo faber. Com os escritores latinoamericanos (o neobarroco) restaura-se - pois estava soterrada sob o neoclássico, o positivismo e o realismo - os laços com o barroco: a escrita do jogo, da perda, do desperdício e do prazer. A última nota do texto de Goytsolo é esta: “El barroco es el arte más escandalosamente antioccidental derivado del próprio Occidente: relegado por ello al kitsch em el siglo XVIII (el arte de las masas ignorantes que todavia asitían a las comédias de Calderón) y a la censura oficial y acadêmica em el siglo XIX”. Echevarria, Roberto González. ‘Memória de aparências y ensayo de Cobra’, em Severo Sarduy.”

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